A possível construção de casas populares no bairro Jardim Itália, em Campo Novo do Parecis, tem gerado revolta, indignação e forte desconfiança entre os moradores. O que deveria ser uma política pública voltada à redução do déficit habitacional passou a ser vista como mais um episódio marcado pela falta de transparência e suspeitas de favorecimento político por parte da atual gestão municipal.
Segundo relatos de moradores, o projeto habitacional não estava originalmente previsto para o Jardim Itália, mas sim para o bairro Alvorada. A mudança repentina de local, sem diálogo com a comunidade e sem a apresentação de estudos técnicos públicos, acendeu o alerta entre os residentes, que temem a desvalorização imediata de seus imóveis e impactos negativos na infraestrutura do bairro.
O episódio ganha contornos ainda mais graves diante das informações que circulam entre os moradores de que a alteração do local teria ocorrido para preservar o patrimônio do atual prefeito e de seus familiares, filiados ao PL. De acordo com esses relatos, ao menos três imóveis pertencentes ao prefeito e a familiares diretos estariam localizados a apenas uma quadra da área inicialmente prevista para a construção das casas populares no bairro Alvorada, o que reforça as suspeitas de que a mudança teria como objetivo evitar prejuízos patrimoniais privados.
A transferência do empreendimento para o Jardim Itália, nesse contexto, é vista pela população como uma decisão conveniente para poucos e prejudicial para muitos. Moradores questionam: quais critérios técnicos justificaram a mudança? Onde estão os estudos de impacto urbano, social e econômico? Por que a comunidade diretamente afetada não foi consultada previamente?
A comunidade reforça que não é contra programas habitacionais, mas repudia a forma como o processo vem sendo conduzido, apontando indícios de que interesses políticos e pessoais possam ter se sobreposto ao planejamento urbano, à justiça social e à transparência administrativa.
Diante da ausência de esclarecimentos oficiais, cresce a pressão para que a Câmara de Vereadores, o Ministério Público e os órgãos de controle acompanhem o caso. Para os moradores do Jardim Itália, o sentimento é de que o bairro foi escolhido não por critérios técnicos ou sociais, mas por conveniência política um custo que a população afirma não aceitar pagar.

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